Mês: novembro 2010

Crônica da Loucura

Luis Fernando Veríssimo O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, na sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um “consultório médico”, como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinqüenta anos e uma...

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Não trate o filho ou aluno como café-com-leite

Rosely Saião Creio que todo mundo conheça o significado da expressão “café-com-leite”. Quando crianças estão participando de um jogo ou de uma brincadeira e acontece de uma delas querer entrar, mas não apresentar condições de acompanhar as regras ou de envolver-se do mesmo modo que as outras, ela é admitida em caráter especial. Trata-se de um recurso para incluir essa criança, em geral, menor do que as outras, naquele grupo sem, entretanto, comprometer o andamento do jogo. Usada nesse sentido de inclusão, a criança café-com-leite é valorizada, já que a mensagem do grupo é clara ao informar que, mesmo...

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Almas que se encontram

Por Paulo Fuentes. Dizem que para o amor chegar não há dia, não há hora nem momento marcado para acontecer. Ele vem de repente e se instala no mais sensível dos nossos órgãos, o coração. Começo a acreditar que sim. Mas percebo também que pelo fato deste momento não ser determinado pelas pessoas, quando chega, quase sempre os sintomas são arrebatadores. Vira tudo às avessas e a bagunça feliz se faz instalada. Quando duas almas se encontram o que realça primeiro não é a aparência física, mas a semelhança d’almas. Elas se compreendem e sentem falta uma da outra. Se entristecem por não terem se encontrado antes, afinal tudo poderia ser tão diferente. No entanto sabem que o caminho é este e que não haverá retorno para as suas pretensões. É como se elas falassem além das palavras, entendessem a tristeza do outro, a alegria, o desejo, mesmo estando em lugares diferentes. Quando almas afins se entrelaçam passam a sentir saudade uma da outra num processo contínuo de reaproximação até a consumação. Almas que se encontram podem sofrer bastante também, pois muitas vezes tais encontros acontecem em momentos onde não mais podem extravasar toda a plenitude do amor que carregam, toda a alegria de amar e querer compartilhar a vida com o outro, toda a emoção contida à espera do encontro fatal. Desejam coisas que se tornam quase impossíveis,...

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Pedras no caminho

Fernando Pessoa Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um...

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Disfunção Sexual

  Helio Felippe As altas taxas de disfunção sexual na população Aproximadamente um em cada três homens e quatro em cada 10 mulheres sofrem de algum tipo de disfunção sexual. Em geral homens e mulheres casados têm menos problemas sexuais do que os solteiros, entretanto, as mulheres tendem a ter problemas na juventude, sendo que 21% das mulheres com idade entre 18 a 29 anos informam dor física durante a relação sexual, enquanto as mulheres com 50 a 59 anos de idade têm apenas um terço da probabilidade de experimentar dor. Um problema muito comum entre as mulheres é o chamado “frigidez”. O que é uma mulher “frígida”? O rótulo de frígida soa para a mulher como uma condenação. Ela é acusada de não ser feminina, terna e sensível só porque não conseguiu estimular-se ou chegar ao orgasmo. Na verdade, por trás da frigidez estão todas as dificuldades que concorrem para que a mulher se sinta incapaz de se realizar sexual e afetivamente. Um dos fatores que gera frigidez é a ausência de desejo sexual (libido). Isto é chamado anafrodisia. Outro problema é a anorgasmia. Neste caso, a excitação ocorre, mas há uma impossibilidade total ou parcial de chegar ao orgasmo. Há também a dispareunia, quando há dor na penetração. Pode ser causada por problemas físicos, tais como infecção no aparelho genital. Outro fator é a alienação, ou seja,...

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