Mês: dezembro 2010

Compulsão sexual

Helio Felippe Enquanto a Ciência se esforça para amenizar o problema da falta de desejo sexual em algumas pessoas,  um outro grande grupo vive o problema oposto: a compulsão sexual. De acordo com especialistas, no Brasil estima-se que 6% da população sofra do mal. Para um país de 170 milhões, isso equivaleria a 10 milhões de pessoas. Há muito se tem descrito pacientes, ou melhor, pessoas cujos sintomas compreendem exclusivamente em fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos hipersexuais. Alguns descrevem uma sexualidade patológica, na qual o apetite sexual aumenta anormalmente a tal ponto que ocupa quase todos os pensamentos e sentimentos, não permitindo que a consciência tenha liberdade de desvencilhar-se deles. Seria como um estado de “cio”, exigindo gratificação sexual sem maiores considerações éticas, morais e legais, resolvendo-se numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres sexuais. O Comportamento Sexual Compulsivo afeta de 3% a 6% da população, predominantemente homens, e costuma ter início no final da adolescência ou no início da terceira década, sendo sempre de natureza crônica, com períodos episódicos de maior agudização. Essas cifras, por si só, não sugerem absolutamente nada, uma vez que podemos ter igual incidência de pessoas que pensam exageradamente e/ou praticam exageradamente a religião, o esporte, a arte ou qualquer outra atividade do universo humano. A diferença seria eminentemente ética e não médica. Apesar dos transtornos caracterizados por hipersexualidade terem...

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Câncer de Próstata

Dra. Calide Soares Gomes Como os demais órgãos, a próstata pode ser acometida por tumores malignos primários e secundários, de vários tipos e linhagens. Porém, o tumor maligno de importância clínica por sua freqüência é o adenocarcinoma da próstata. O adenocarcinoma da próstata, mais conhecido apenas por “câncer da próstata”, é um dos cânceres mais comuns do sexo masculino. Aparece dos 40 anos em diante sendo mais freqüente a partir dos 65 anos. É mais comum na raça negra e nos pacientes com história familiar de câncer. Nos estádios iniciais, limita-se à próstata; se deixado sem tratamento, poderá invadir órgãos próximos como vesículas seminais, uretra e bexiga, bem como espalhar-se para órgãos distantes como linfonodos, ossos, fígado e pulmões, quando torna-se incurável e de nefastas conseqüências. O diagnóstico é feito: A-pela presença de sintomas urinários, que são iguais aos apresentados pelos portadores de HBP (Hipertrofia benigna da próstata). Os mais comuns são: levantar-se várias vezes à noite para urinar, ardência para urinar, diminuição da força e calibre do jato urinário, sensação de não ter esvaziado completamente a bexiga após urinar, urinar em dois tempos, desejo imperioso de urinar, aumento do número de micções, urina sanguinolenta, gotejamento acentuado no final da micção, diminuição do volume do ejaculado, incapacidade de urinar espontaneamente (retenção urinária). B-pelo toque retal, exame clínico no qual através do tato, o urologista verifica a presença de nódulos...

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Sobre o tempo e a eternidade

Rubem Alves “Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu Ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda...

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Saudades da Amélia

Ana Kessler São 7h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou TÃO acabada, não queria ter que trabalhar hoje. Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até. Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas. Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro. Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar. Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela. Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, frequentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária. Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconsequentes com idéias mirabolantes sobre “vamos conquistar o nosso espaço”. Que espaço, minha filha? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam...

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O outro lado da intimidade

Luciana Esteves Aquela velha história de cara metade pode ser ótima na teoria, mas na prática não é bem assim. O tempo e o convívio são responsáveis por revelar pequenas manias e particularidades que aquela criatura que você tanto ama insiste em cultivar… e que nem sempre são as coisas mais agradáveis do mundo. Roupas pela casa, calcinhas penduradas no box do banheiro, o zapping do controle remoto da televisão ou a mania de ocupar todo o sofá muitas vezes fazem com que o outro se sinta invadido e comece a se fazer a seguinte pergunta: até que ponto...

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