Mês: Janeiro 2011

J’ACCUSE !!! (EU ACUSO!!!)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes) Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola) Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (…) (Émile Zola) Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que… estudar!). A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática. No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê...

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Afeto e Limites

Crianças de hoje não conseguem imaginar como os seus avós viviam sem fax, telefone celular, internet. Os recursos tecnológicos e os canais de comunicação mostram extraordinárias transformações, mas grande parte dos dilemas e queixas entre as gerações permanece. Quartos desorganizados, objetos deixados por toda a casa, brigas entre irmãos e desobediência são queixas apontadas pelos pais, a pelo menos três décadas. Homens e mulheres somam ao estresse da profissão, as preocupações com baixo rendimento escolar dos filhos, uso de drogas, conduta agressiva, consumismo e exigência de bens materiais. Pais, professores, empresários, gerentes e trabalhadores vivem conflitos nas relações de trabalho, medo de perder emprego, insegurança nos processos de mudança. E como se não bastasse, vivem os dilemas da educação dos filhos. Amigos dos filhos invadem a casa sem sequer cumprimentar. Muitos pais ficam indignados quando os adolescentes saem para as festas no horário em que os pais retornam para casa. Os professores, por sua vez, queixam-se da indisciplina, das notas baixas, do desinteresse pelas aulas. Muitos alunos ainda jogam lixo pela sala, deixam banheiros imundos, não sabem pedir desculpas nem cumprimentar. Na classe média instalou-se um forte consumismo e os adolescentes só se sentem aceitos no seu grupo de referência quando vestem roupas “de marca”, compram tênis do momento. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, as crianças ficam cada vez mais sozinhas e os pais tentam...

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Cenas de um casamento

Helio Felippe A cena costumeira aos domingos: ele na sala em frente a televisão assistindo ao futebol, e ela, sem poder falar nada, vai para o telefone ou em busca de outra tarefa doméstica para atenuar o seu tédio. O domingo vai acabando como prefácio do que será a semana, sempre burocrática e com poucas palavras: o ronco no sofá, o jornal, a crítica sobre algo na cozinha, etc. Nenhum elogio! Chega a hora de dormir, cada um vira para um lado e acaba-se mais um dia. Alguma semelhança? Quem casado que nunca viveu cenas como esta na prática? Algumas pessoas pensam que isso só acontece na casa delas e não se dão conta de que é muito mais comum do que se imagina. Àquela pessoa que dorme ao se lado e por quem você fazia de tudo pelo seu amor, hoje, tornou-se um hábito. Conjugues maduros, que se admiram, se respeitam e se sentem pelo menos um pouco atraídos um pelo outro, conseguem ver boas perspectivas na estabilidade. A crise é sempre um estado de intolerância, no entanto, quando se gosta, a tolerância é bem maior. Existe sim, uma expectativa e ansiedade pela excitação sentimental, onde ambos vão amarem-se pelo resto da vida, serão felizes para sempre, etc. Mas na prática não é bem assim não. O que acontece é uma grande frustração no casamento que começa a fornecer...

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