Mês: outubro 2016

Os Sexalescentes

Se estivermos atentos, podemos notar que está surgindo uma nova faixa social, a das pessoas que estão em torno dos sessenta/setenta anos de idade, os sexalescentes é a geração que rejeita a palavra “sexagenário”, porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer. Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica, parecida com a que em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se. Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta/setenta anos, teve uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes, que trabalham há muitos anos e conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram, durante décadas, ao conceito de trabalho. Procuraram e encontraram, há muito, a atividade de que mais gostavam e com ela ganharam a vida. Talvez seja por isso que se sentem realizados! Alguns nem sonham em aposentar-se. E os que já se aposentaram gozam plenamente cada dia, sem medo do ócio ou solidão. Desfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, fracassos e sucessos, sabem olhar para o mar sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5º andar… Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel destacado....

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Oração do Pai Contemporâneo

ORAÇÃO DO PAI CONTEMPORÂNEO “Dai-me, meu Deus,a luz da Vossa Inspiração. Quero educar meus filhos para a ternura, a tolerância e a compreensão do próximo. Mas porque os ternos e os doces acabam tão raros, estranhos, quase marginais, sem chance de fazer ou criar na dura competição pela vida? E se os educo na linha da dureza e exigência, formarei pessoas eficazes,atletas do saber e do fazer,padrões de êxito externo, brilho e posição. Mas os que conheço assim, sinceramente, são felizes? Como? Se trocaram suas pessoas pelo papel que desempenham? Às vezes meu pai penso em não interferir. Em deixar que o que a neles de seu, de atávico, de hereditário e de intransferível vá ensinando-os. Mas eu venho de um tempo em que ficou moda deixar a criança entregue a si mesma”para não frustrar”. Depois vi que essas crianças “sem frustração”, crescidas, afundando-se na mais completa desagregação, berrando sua solidão e o “ me protege pai”, disfarçados em agressividade, autodestruição e negação sem afirmação compensatória. Será que a educação de meus pais, durona, do “não pode”, “não deve”, “é pecado”, “eu não quero”, “você vai ser igual a mim”, será que essa é a certa? Mas quantos, Senhor, vindos desta, vi resvalar na vala da amargura, da vida, não vivida, da revolta sem remédio? Eu gostaria de só falar-lhes do amor possível, da importância do sentimento do outro,...

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O Dia em que eu Morri

Estranho? Nem tanto. Se depois de ler esse texto você achar que ainda está vivo, ótimo! Caso contrário, é bom repensar se ainda existe algum sopro de vida aí dentro. Vou contar como tudo aconteceu. A minha primeira parcela de morte aconteceu quando acreditei que existiam vidas mais importantes e preciosas do que a minha. O mais estranho é que eu chamava isso de humildade. Nunca pensei na possibilidade do auto abandono. Morri mais um pouquinho no dia em que acreditei em vida ideal, estável, segura e confortável. Passei a não saber lidar com as mudanças. Elas me aterrorizavam. Depois vieram outras mortes. Recordo-me que comecei a perder gotículas de vida diária, desde que passei a consultar os meus medos ao invés do meu coração. Daí em diante comecei a agonizar mais rápido e a ser possuída por uma sucessão de pequenas mortes. Morri no dia em que meus lábios disseram, não. Enquanto o meu coração gritava, sim! Morri no dia em que abandonei um projeto pela metade por pura falta de disciplina. Morri no dia em que me entreguei à preguiça. No dia em que decidir ser ignorante, bulímica, cruel, egoísta e desumana comigo mesma. Você pensa que não decide essas coisas? Lamento. Decide sim! Sempre que você troca uma vida saudável por vícios, gulodice, sedentarismo, drogas e alienação intelectual, emocional, espiritual, cultural ou financeira, você está fazendo uma escolha...

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