Quando a gente ama, mas não gosta mais

De repente não mais que de repente o amigo próximo fez-se distante – ou será que fomos nós que tomamos aquele velho navio? Diz a canção que a hora do encontro é também a da despedida. Demorei um tempo para entender a dualidade desse verso: pessoas se (re)encontram numa estação ou cais, enquanto outras tantas se despedem e, muitas vezes, quando nos encontramos com nós mesmos nos  despedimos de velhos amigos. E como é triste reconhecer (e admitir) isso! Dói tanto quanto apartar-se de um grande amor. Aliás, como reconhecer que uma amizade acabou? As amizades acabam? Há quem diga que o que é real não tem fim. Que a amizade quando é verdadeira é para a vida inteira. Mas na prática não é bem assim que funciona. O afeto pode ser para a vida inteira, mas a vontade de estar junto, de trocar, de dividir, não. O sentimento de amizade pode ser eterno, mas o desejo de manter um relacionamento com um amigo, nem sempre. Dia desses, tomando dois cafés e uma água com gás com um amigo querido, ele me disse: – Sabe aquele tipo de amigo que a gente ama muito, muito mesmo, que é capaz de doar um rim caso ele precise, mas que a gente não gosta mais? Respondi: – Não! Como é isso? Foi então que ele me explicou que o amor por...

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