Dra. Calide Soares Gomes
Como os demais órgãos, a próstata pode ser acometida por tumores malignos primários e secundários, de vários tipos e linhagens. Porém, o tumor maligno de importância clínica por sua freqüência é o adenocarcinoma da próstata. O adenocarcinoma da próstata, mais conhecido apenas por “câncer da próstata”, é um dos cânceres mais comuns do sexo masculino. Aparece dos 40 anos em diante sendo mais freqüente a partir dos 65 anos. É mais comum na raça negra e nos pacientes com história familiar de câncer. Nos estádios iniciais, limita-se à próstata; se deixado sem tratamento, poderá invadir órgãos próximos como vesículas seminais, uretra e bexiga, bem como espalhar-se para órgãos distantes como linfonodos, ossos, fígado e pulmões, quando torna-se incurável e de nefastas conseqüências. O diagnóstico é feito: A-pela presença de sintomas urinários, que são iguais aos apresentados pelos portadores de HBP (Hipertrofia benigna da próstata). Os mais comuns são: levantar-se várias vezes à noite para urinar, ardência para urinar, diminuição da força e calibre do jato urinário, sensação de não ter esvaziado completamente a bexiga após urinar, urinar em dois tempos, desejo imperioso de urinar, aumento do número de micções, urina sanguinolenta, gotejamento acentuado no final da micção, diminuição do volume do ejaculado, incapacidade de urinar espontaneamente (retenção urinária). B-pelo toque retal, exame clínico no qual através do tato, o urologista verifica a presença de nódulos duros na superfície da próstata. C-por um exame de sangue específico chamado PSA, cujos níveis apresentam-se elevados nos casos de câncer da próstata. D-por ultra-sonografia da próstata, feita através do reto, onde observa-se imagens características do câncer. E-por biópsia da próstata, exame microscópico de fragmentos da glândula. F-por outros exames, dependendo do caso(cintilografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética etc).
O tratamento depende de cada caso e se o tumor está confinado à próstata ou se já espalhou-se para outros órgãos. As opções de tratamento são: A-cirurgia radical, indicada apenas se o paciente é jovem, tem boa expectativa de vida e com tumor em estádio inicial, estritamente limitado à próstata. É uma cirurgia de grande porte onde a próstata e as vesículas seminais são retiradas em bloco. É o único tratamento que garante a cura completa. Tem como desvantagem, a possibilidade de em alguns casos deixar o paciente impotente ou incontinente (perda involuntária de urina); mesmo assim, há possibilidade de se corrigir tais complicações. B-radioterapia, onde aparelhos ou “sementes” implantadas na próstata emitem grandes doses de energia radioativa que é direcionada ao órgão doente, no intuito de fazer “murchar” as células cancerosas. Impotência sexual também poderá ocorrer após radioterapia. C-hormonioterapia, indicada para os casos em que o câncer já se espalhou para outros órgãos, nos estádios avançados da doença, onde não há possibilidade de cura completa. São usados vários medicamentos à base de hormônios, no intuito de deter o crescimento do tumor. A castração, retirada cirúrgica dos testículos, também é empregada como hormonioterapia, já que elimina os órgãos que produzem o hormônio masculino, responsável pelo crescimento do tumor.
Prevenção do câncer da próstata.
Só existe um modo seguro de se curar o câncer da próstata: descobrindo-o precocemente, ou seja, submetendo-se ao exame preventivo. O exame preventivo deve ser realizado por urologista, anualmente, a partir dos 45 anos; dessa forma, consegue-se detectar tanto a HBP(Hipertrofia Benigna da Próstata) quanto o câncer em fase inicial e ainda curável. Mesmo os pacientes operados da próstata por HBP, devem submeter-se ao preventivo, pois, as cirurgias para o tratamento das doenças benignas da próstata, não a retiram por completo, deixando intacta sua cápsula, a partir de onde o câncer pode desenvolver-se. Não se deve esperar pelo aparecimento dos sintomas para recorrer ao exame preventivo; seguramente, quando os sintomas começarem a se manifestar, a doença já existirá há algum tempo. O exame preventivo é extremamente simples: A-uma consulta com o urologista onde ele fará perguntas gerais e específicas sobre o sistema urinário e genital. B-um exame de sangue solicitado pelo urologista, o PSA, extremamente útil para monitorar o aparecimento do câncer, visto que sua concentração no sangue quase sempre mantém-se em níveis normais na HBP e aumenta consideravelmente nos casos de câncer da próstata. C-o toque retal, um exame clínico feito pelo urologista. O toque retal é realizado pela introdução do dedo indicador do médico, lubrificado e enluvado, no ânus do paciente. Dura de 10 a 30 segundos, é relativamente indolor e presta ao médico informações como: I-estado do esfíncter anal (músculo que segura as fezes). II-estado das fezes dentro do reto. III-presença ou não de tumores do reto, alcançáveis pelo dedo do médico. IV-presença ou não de dor na próstata, vesículas seminais e reto, que pode indicar presença de inflamações. V-avaliação do tamanho da próstata. VI-avaliação da mobilidade da próstata. VII-avaliação da presença de nódulos suspeitos de câncer da próstata. VIII-avaliação da consistência da próstata; se mole, dura ou elástica. IX-avaliação das bordas, limites e simetria da próstata.
Ao contrário do que se pensa, o toque retal não é um exame “antigo” ou “superado”; não compromete a masculinidade nem é indigno. Nenhum outro exame dá as informações do toque retal. Jamais deverá ser trocado por qualquer outro exame tipo ultra-sonografia ou radiografia, que não o substituem, mas complementam-no quando for o caso. Concluído o exame preventivo, se nada de anormal for encontrado, o paciente é orientado para retornar após um ano. Caso haja alguma suspeita de câncer da próstata ou HBP importante, o urologista tomará providências para esclarecer o caso, aprofundando a investigação através da realização de outros exames.