Helio Felippe

Enquanto a Ciência se esforça para amenizar o problema da falta de desejo sexual em algumas pessoas,  um outro grande grupo vive o problema oposto: a compulsão sexual. De acordo com especialistas, no Brasil estima-se que 6% da população sofra do mal. Para um país de 170 milhões, isso equivaleria a 10 milhões de pessoas.

Há muito se tem descrito pacientes, ou melhor, pessoas cujos sintomas compreendem exclusivamente em fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos hipersexuais. Alguns descrevem uma sexualidade patológica, na qual o apetite sexual aumenta anormalmente a tal ponto que ocupa quase todos os pensamentos e sentimentos, não permitindo que a consciência tenha liberdade de desvencilhar-se deles. Seria como um estado de “cio”, exigindo gratificação sexual sem maiores considerações éticas, morais e legais, resolvendo-se numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres sexuais.

O Comportamento Sexual Compulsivo afeta de 3% a 6% da população, predominantemente homens, e costuma ter início no final da adolescência ou no início da terceira década, sendo sempre de natureza crônica, com períodos episódicos de maior agudização. Essas cifras, por si só, não sugerem absolutamente nada, uma vez que podemos ter igual incidência de pessoas que pensam exageradamente e/ou praticam exageradamente a religião, o esporte, a arte ou qualquer outra atividade do universo humano. A diferença seria eminentemente ética e não médica.

Apesar dos transtornos caracterizados por hipersexualidade terem sido descritos há muito tempo e de continuarem a ser assunto de grande interesse clínico, as condições nosológicas dessas afecções permanecem controversas e obscuras.

O Comportamento Sexual Compulsivo se caracteriza por comportamentos sexuais impróprios, exagerados ou cognições que causam sofrimento subjetivo e comprometimento das funções ocupacional e interpessoal. O transtorno apresenta um desafio aos pesquisadores devido às discórdias sobre a definição de suas características principais e da amplitude de seu espectro

O compulsivo sexual não é uma pessoa que faz muito sexo ou que está interessa em ter diferentes parceiros. É engano pensar assim!  Apesar de ser um distúrbio diretamente relacionado ao excesso de desejo e de impulso sexual, nem todos os dependentes vão extravasá-los através do contato físico.

Estudos recentes do Proad da Universidade Federal de São Paulo, mostram que também são compulsivos aqueles que pensam excessivamente em sexo, mesmo que não tenham muitas relações, surpreendentemente, a freqüência média de relações sexuais dos pacientes nesse estudo era de duas vezes por semana. O problema do compulsivo não é transar muito, mas de maneira errada, estabelecendo uma relação de sofrimento e culpa com a própria sexualidade.
O diagnóstico da doença  um problema enfrentado por médicos e especialistas. O Proad adaptou um questionário norte-americano para identificar prováveis casos de dependência de sexo. Trata-se do primeiro estudo sobre o tema publicado em uma revista científica brasileira. O trabalho ajuda os médicos a identificar o problema e também os pacientes que desconfiam que sofrem do distúrbio.
As pessoa  com maior probabilidade de ficarem doentes são àquelas de relacionamento muito introvertidos ou deprimidos – são geralmente pessoas caladas tímidas e acabam direcionando  sua sexualidade de forma inadequada.
Ainda não existem conclusões definitivas sobre os mecanismos cerebrais envolvidos na compulsão sexual, mas alguns estudos mostraram que os antidepressivos que regulam os níveis de serotonina – neurotransmissor ligado à sensação de bem-estar – no cérebro ajudam no controle do problema. Mas isso não é o suficiente para dizer que a deficiência do neurotransmissor é a causa da compulsão.
Além de antidepressivos, o tratamento da compulsão sexual envolve psicoterapia. Outra alternativa são os grupos de auto-ajuda DASA (Dependentes do Amor e Sexo Anônimos) que estão espalhados por diversas capitais.