As modificações surpreendentes em relação ao comportamento sexual na atual sociedade alcançaram de forma espantosa a sub-cultura da nossa adolescência, tornando o sexo, sem dúvida alguma, um problema médico-social. A geração atual executa o sexo sem amor, e por tal a mocidade de agora pratica cada vez mais sexo, com cada vez menos prazer; ( Pesquisas mostram que meninas de 15 anos, por exemplo, não têm orgasmo algum e que em geral as mulheres atingem o pico sexual, somente entre os 30 e 40 anos ).
Não há dúvida que no ato sexual há sempre um risco, uma possibilidade de perigo, desde a gravidez indesejada, passando pelas DST , pela AIDS, o aborto clandestino, até o envolvimento irresistível com pessoa inconveniente, choques físicos e conflitos psicológicos, pois no calor da hora, o adolescente não tem maturidade suficiente para colocar a razão acima da emoção.
Temos que admitir que a pílula anticoncepcional desfigurou o conceito filosófico dos preceitos de moral vigentes, e que a educação proporcionada às moças e rapazes a respeito de sexo, se apresenta repleta de discussões e impropriedades.
Os jovens brasileiros, em sua maioria, não têm suficientes informações acerca de vários aspectos da fisiologia da sexualidade e da reprodução. Eles lançam-se à atividade sexual, percorrendo um caminho solitário, descobrindo, experimentando, arriscando-se, pois muitos adolescentes, sentem-se incapazes de conversar com seus pais sobre sexo e não gostam de ser interrogados sobre seu comportamento sexual.
A divulgação de assuntos eróticos, como motivo encoberto pelos meios de comunicação, televisão, filmes, anúncios, comédias, danças, letras de música, no rádio, nos jornais e nas revistas, tem aumentado extraordinariamente entre nós, levando os jovens a um estado mental de confusão e perplexidade. Esta situação ainda é agravada pelo enfraquecimento das religiões, da tolerância das autoridades, da censura, da explosão precoce de independência e liberdade em jovens ainda incompetentes para usá-las e pela promoção e consagração de falsos valores, em publicidade da televisão.
Sem dúvida, uma das nossas funções fisiológicas a sofrer mais influências do meio ambiente é a sexual. A nossa psique sexual interage com o nosso habitat cultural. Somente o conhecimento da verdadeira funcionalidade dos órgãos genitais e o desprendimento das influências ambientais liberam e adequam a sexualidade individual.
Poucos são os jovens que buscam orientação e respaldo clínico-psicológico para iniciarem um trabalho psicoprofilático para a vida sexual. Mesmo num corpo sadio, o aparelho sexual é altamente vulnerável à tensão emocional, ansiedades, angústias e sujeito a alterações por condicionamentos negativos. Quando o adolescente não está preparado para manter relação sexual, a aproximação de um complementar pode ser ameaçadora.
Os adolescentes experimentam o sexo cada vez mais cedo, – no Brasil em torno dos 16 anos – e corre risco de vida por distrações. Ouvem mais sobre sexo do que jamais sonharam seus pais e avós, mas o índice crescente de gravidez de meninas entre 13 a 19 anos indica um despreparo alarmante. Em geral, a adolescente não acredita em si mesma e não exige uso de preservativo, cedendo à sedução do parceiro. Se consideram inatingíveis; acham que o “mal” só acontece com os outros; este fato explica, também, porque conhecem os métodos anticoncepcionais, mas não os usam como deveria.
Biologicamente, o corpo na adolescência está pronto para o sexo, porém psicologicamente o adolescente ainda não está estruturado. Nesta idade, a atividade sexual – do beijar casual aos agrados, bolinações e relações sexuais – atende a numerosas necessidades, provavelmente sendo a menor delas o prazer físico. O mais importante é a capacidade da interação sexual para aumentar a comunicação, para buscar novas experiências, para provar maturidade às outras pessoas, para estar em consonância com o grupo de amigos, para encontrar alívio das pressões, para livrar-se da “incômoda” virgindade e para investigar os mistérios do amor.
O Ministério da Saúde está preparando uma campanha de esclarecimento a ser lançada ainda este ano. Além de falar em prevenção, a campanha vai sugerir que os jovens adiem a hora de começar a “transar”.
Uma pesquisa realizada pela organização não governamental Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, em parceria com o UNICEF e com o Ministério da Saúde, mostrou que a AIDS e a gravidez precoce não assustam os jovens; 67% não usaram nenhum tipo de contraceptivo na primeira relação sexual; o que demonstra imaturidade e irresponsabilidade na hora de praticar sexo. O maior desafio, desta campanha, é fazer com que o conhecimento deles se transforme em auto- preservação