Regina Valladares
Toda vez que começa aquele choramingo de que não tem homem do mercado, ele sempre vem acompanhado de um adendo: os bons estão todos ocupados. E os bons são os maridos alheios. Será que isso é verdade? Por que eles são melhores? Afinal, o que as mulheres vêem neles?
Não é verdade que os casados são de melhor qualidade do que os solteiros. O que acontece é que tanto o homem quanto a mulher quando estão seguros num relacionamento comportam-se com muito mais descontração e naturalidade. Entre solteiros sempre paira uma certa tensão no ar, uma ansiedade em relação ao desconhecido, ao “será que vou encontrar alguém?” Quando esses tímidos e nervosos homens solteiros encontrarem uma mulher a que se ligar, imediatamente se transformarão em bons homens casados. E se tornarão irresistíveis aos olhos daquelas que gostam do tipo comprometidos. Entrevistamos trinta solteiras para saber por que essa atração fatal pelo fruto proibido.
O que as mulheres que gostam de homens casados têm a dizer. Os casados conhecem um pouco mais o sexo feminino.
Eles vivem full time com a patroa, então têm uma boa escola. Aprenderam a conversar sobre sentimentos. “É mais fácil falar de você com um cara casado. Ele não oferece perigo, já que é comprometido”, explica Carmem, 37 anos, gerente de conta. “Você fica mais a vontade, pode ser verdadeira. Se o cara gostar de você e quiser largar a mulher, ótimo, é lucro.”
Se outra está com ele é porque o cara tem alguma coisa.
O casamento funciona como um controle de qualidade.”Se você encontra um cara solteiro de 40 anos, fica logo com a pulga atrás da orelha”, diz Marta, 38 anos, comerciante. “Deve ter alguma coisa errada com ele, porque não é normal nunca ter se casado. Agora, o homem casado é um desafio testado e aprovado.”
A possibilidade de um relacionamento sem cobrança.
Há quem prefira namorar homens casados enquanto não encontra o homem da sua vida. “Eles não cobram nada de você”, justifica Denise, 29 anos, economista. “E como têm família, nunca estão livres nos finais de semana, quando saimos à caça de um bom partido. Assim, a gente não fica carente demais, nem perde a prática da conquista enquanto não acha um par.”
A felicidade faz a pessoa ficar mais bonita.
E, ao sentir-se mais bonita, ela fica mais segura de si, mais confiante e isso faz com que brilhe com mais força. “Parece a lei de Murphy”, diz Simone, arquiteta, 29 anos. “Basta eu estar com alguém para chover paqueras atrás de mim. Mas, quando estou sozinha, eles não me olham. Com os homens é a mesma coisa. Eles ficam mais atraentes.”
O desafio da conquista difícil.
Ver o sujeito com a namorada, saber que vai ser mais difícil vencer a batalha, mas ele deu bola para você… “Não curto homem casado, mas comprometido é dez”, diz Renata, 21 anos, professora de educação física. “Gosto de competir. Se ganhar o gato, fico feliz e sem culpa nenhuma pois ninguém acaba o namoro de ninguém. A relação já devia estar ruim para ter acabado. Se não ganhar, a batalha era difícil, mas eu tentei.”
A esperança de ser a eleita.
Há mulheres que se apaixonam e sofrem porque o cara não deixa a família para ficar com ela. “Não tenho mais esperanças, mas o amo muito, sei que é a pessoa com quem eu gostaria de ficar”, conta Sílvia, 32 anos, secretária. “No entanto, vivo infeliz por não ter um homem só para mim, mas não consigo por fim a essa relação.”
O que dizem os especialistas
“Existem muitas hipóteses para explicar a atração que algumas mulheres têm por homens casados. Eu aposto no medo da rejeição. Se eu tentar um relacionamento e não conseguir vou me sentir rejeitada e isso é doloroso demais para mim. Agora, se eu investir numa conquista e não tiver chance de ganhar, aí tudo bem. Não me sinto rejeitada, afinal o cara era casado, não podia isso e aquilo. É como a história do menino que não estuda o ano inteiro. Chega na véspera da prova, ele tenta ver a matéria inteira e, claro, não dá tempo. Se ele passar, é um gênio. Se não passar era de se esperar, pois não deu tempo de estudar quase nada. Corajoso é o cara que estuda o ano inteiro e se arrisca. Corajosa é a mulher que se arrisca a ganhar ou perder no jogo limpo. Sem desculpas.” Paulo Gaudêncio, psiquiatra, psicanalista e autor dos livros Minhas Razões, Tuas Razões; Mudar e Vencer, entre outros.
“Muitas mulheres gostam de participar de um triângulo amoroso. Isso, por si só, não é ruim, desde que elas sejam felizes assim. Se preferem essa situação a ter de viver um relacionamento convencional, em que um está sempre à disposição do outro, não vejo problema. O problema é quando começam a desejar que aquele homem seja só delas. O grande atrativo dos casados é justamente o fato de eles não estarem disponíveis o tempo todo. Se isso pode ser desconfortável por um lado, pode ser muito cômodo. Não existem regras do que é ser feliz. Tem gente que sonha em se casar, ter filhos e viver para sempre com um homem. E há quem se satisfaça em amar mesmo sabendo que não é a única na vida dele. Não existe certo ou errado se a pessoa estiver sendo sincera com ela mesma. O que não pode é querer que o outro mude para se encaixar nos planos dela.” Lúcia Lara, psicoterapeuta.