Na medida certa, o ciúme ajuda a colorir a relação. Mas na maioria dos casos, se torna um dos principais motivos de brigas entre casais. O Dicionário Aurélio conceitua: Ciúme: [Do lat. *zelumen < lat. zelus < gr. zêlos, ‘cuidado’; ‘ardor’; ‘inveja’; ‘ciúme’.] Substantivo masculino. 1.Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos. [Nesta acepç. é m. us. no pl.] 2.Emulação, competição, rivalidade. 3.Despeito invejoso; inveja. 4.Receio de perder alguma coisa; cuidado, zelo:

Eis alguns pensamentos sobre ciúmes, para uma boa reflexão:

-“Pedir ciúmes é despertar alguém que está dormindo.”- Refrán

-“O namorado ciumento suporta melhor a enfermidade de sua amante que sua liberdade.”- Stendhal

-“O ciumento, nunca tem ciúmes do que vê, mas sim do que imagina.” – Jacinto Benavente

-“De qualquer forma o ciúmes é na realidade uma conseqüência do amor: goste ou não, existem.” – Robert Louis Stevenson

-“O ciumento ama mais, mas não ama melhor.”- Molière

-“O homem é ciumento se ama, a mulher também, mesmo que não ame.”- Inmanuel Kant

-“Ciúmes são filhos do amor, mas são bastardos, te confesso.”- Lope de Veja

-“Os ciúmes quando são furiosos, produzem mais crimes que o interesse e a ambição.” – Voltaire

-“O ciúme é um latido que atrai cães” – Karl Kraus

-“Uma vez descoberto, o ciúme passa a ser considerado por aquele que é objeto dele como uma desconfiança que autoriza a enganar.” – Marcel Proust

O ciúme é um sentimento natural de insegurança pessoal. Em algumas pessoas ele se torna mais latente que em outras. Há de se considerar também a influência do meio em que o indivíduo vive. Na verdade, os graus de ciúmes são medidos pela cultura. Em determinados povos ela é mais atenuada, mas nos povos ocidentais onde a cultura prega a monogamia, esse sentimento se torna mais acentuado.

Os povos orientais, alguns deles, se permitem várias esposas. Os esquimós, por exemplo, permitem que suas companheiras, mães de seus filhos, tenham relações sexuais com visitantes e até estranhos, vez ou outra. Em alguns povos africanos é costume que a noiva do primogênito “transe” com o pai deste para atestar a virgindade. Num país da América do Sul, se um visitante não convidar a esposa do anfitrião, numa festa, para dançar, tal atitude é considerada uma ofensa.

No Brasil, por sermos de cultura monogâmica, as desavenças, os crimes por ciúmes, abarrotam as prateleiras das livrarias e preenchem lacunas de periódicos até por falta de assunto. A chamada imprensa “marron”, se locupleta destes casos.

Sinceramente, não creio que o ciúme seja algo de origem biológica ou melhor dizendo, que seja algo que possa ser explicado a partir dessa ótica, ou pelo menos não só a partir dela.

Do ponto de vista biológico, o ciúme é um dos mecanismos que a natureza nos equipou para competirmos para a nossa perpetuação, mas as atitudes criadas por esse tipo de sentimento não dão um bom resultado num contexto cultural mais complexo. Geralmente causam danos, danos até irreversíveis.

É importante, neste contexto, fazer uma distinção entre sentimento de posse e ciúme. Portanto, posso entender que a necessidade de garantir a posse do parceiro sexual seja algo fundamentado nos princípios que regem as leis biológicas de transmissão de genes… mas… o ciúme é um sentimento mais complexo, pois envolve sentimento de posse e de insegurança do agente.

Qualquer psicólogo diria que o ciúme é fruto do medo, como são, praticamente, todos os sentimentos negativos humanos, fruto do medo. Pode ser fruto do medo de perder seu parceiro sexual de uma forma ou de outra, ou o medo de perder o privilégio da exclusividade, ou o medo de ter uma imagem negativa perante o grupo social. Pode ser o medo de perder o afeto do parceiro, ou o medo de não ser mais o(a) escolhido(a), ou o medo de tornar-se o excluído(a), excluído da possibilidade amorosa do encontro, do terno e doce abrigo do aconchego… Ou, simplificando: medo do chifre.

Já o sentimento de posse… Ah! Esse sim, esse só visa garantir diante dos olhos do mundo a legitimidade da parceria! É como uma necessidade de confirmação social de pertencimento de um parceiro ao outro e, conseqüentemente, de identificação do “território genético” já devidamente “loteado”.

Como todo arranjo social é nascido de uma necessidade biológica, esse sentimento foi sendo paulatinamente cristalizado por meio de processos de institucionalização da parceria, das tradições que sacramentaram a posse dos parceiros, das regras jurídicas que instituem as formas dessa parceria, da normatização/legalização dos sentimentos, ações e pensamentos que configuram a parceria… (Leia-se: As leis que condenam a poligamia, mas não impedem que as relações ilícitas ocorram).

Como dissemos no início desta reflexão, o ciúme, na medida certa, ajuda a colorir o relacionamento, mas em doses exacerbadas, acabará com toda e qualquer intenção de duas pessoas que pretendam relacionar-se.

Por isso devemos amar mais e enciumar menos, pois o amor constrói e o ciúme exacerbado…

Pensemos nisso!