A trama de Romeu e Julieta, primeira grande tragédia de William Shakespeare, é baseada em fatos ocorridos na própria cidade de Verona. Outros escritores, antes do bardo inglês, criaram enredos inspirados no destino dos dois jovens amantes que viveram um amor proibido de desfecho trágico devido à rivalidade das famílias Montechcchio (de Verona) e Capuleto (de Cremona).
Eles viveram na Itália do século XVI, mas você poderia reconhecer traços de Romeu, ou de Julieta, em muitos jovens da cidade grande – desafiando leis e costumes para viver uma paixão proibida.
Em outra trama Shakespeareana, Otelo – General mouro e nobre a serviço da República de Veneza. um homem de idade avançada, possuía caráter, atitudes e sentimentos nobres. Entretanto, era ingênuo, pois desconhecia a maldade humana e era incapaz de reconhecer a malícia nas pessoas.
Otelo era fraco, ele não acreditou que seu amor era forte o suficiente, bastou que Iago insinuasse que Desdêmona o estava traindo para que ele acreditasse.
Desdêmona – É uma jovem nobre, pretendida por vários jovens das melhores famílias da República, não só por sua beleza, mas também por seu rico dote. Ela era uma jovem tão tímida, de espírito tão sossegado e calmo, que corava de seus próprios anseios!
Tais características ficam explicitas na atitude de seu pai, que ao saber que ela casou-se com o Mouro, atribuiu tal fato à bruxarias. Em uma época em que os casamentos eram arranjados pelos pais, Desdêmona gozava do privilégio de poder escolher seu próprio marido, porque seu pai confiava muito nela.
Todo esse perfil singelo que envolve Desdêmona sofre uma brusca alteração quando ela abandona sua família e, apesar das diferenças de idade e raça, vai viver ao lado de Otelo em sua vida aventurosa de militar. O fim de Desdêmona é extremamente triste: Além de ter sua imagem de esposa dedicada maculada.
Se mudássemos os nomes dos personagens, poderíamos dizer que são tragédias do século em que vivemos, pois de lá para cá, nada mudou com relação aos preconceitos das uniões entre diferentes.
Os autores da tele-dramaturgia fizeram disso um verdadeiro filão para mobilizar o inconsciente coletivo em busca do “eu ideal”, das fantasias, dos sonhos e porque não, da dádiva do amor.
O amor é sempre uma dádiva. Você não o merece por ter feito alguma coisa; você o merece por ser você mesmo. A essência do amor é que ele é gratuito. Quando o amor é usado como recompensa ele se desagrada.
E é dessa forma que os nossos protagonistas nos romances de Shakespeariano ou não se vêem, no entanto, basta que isto seja sinalizado de alguma forma, para que alguém do outro lado sinta-se incomodado. Sempre haverá um terceiro, um quarto e, sempre será àquele que se sinta “prejudicado” por essa relação. Nesses termos, os “prejuízos” podem ser de ordem emocional, financeira ou até mesmo, o sentimento de posse sobre o outro.
Na realidade, muitas mulheres: bonitas, inteligentes, profissionais bem sucedidas, independência financeira; mas com problemas de relacionamento são verdadeiras paredes intransponíveis, todos fogem delas, são infelizes no amor. É fácil perceber quando alguém se esconde atrás de um personagem, o alguém, dissimula para não ver as suas próprias fraquezas, fechando os canais de comunicação com o mundo real. Pessoas que costumam se mostrar muito auto-suficiente, são na verdade, dóceis e frágeis, precisam olhar para dentro de si e encarar este medo que tem de viver sua própria realidade, o ator. Aprender a lidar com suas fraquezas e, com as pessoas igualmente reais. Mas, enquanto isso não acontece, causa um verdadeiro estrago na vida dos outros, infernizando a felicidade alheia com o que há de pior no ser humano, a falsidade e a inveja. Enquanto se está à procura de alguém ou de alguma coisa que represente o seu ideal, reviravoltas na vida vão acontecendo até que se possa  mostrar os seus verdadeiros conceitos de vida e felicidade.
O desequilíbrio causado numa simbiose familiar gera um conflito interno muito grande quando não se tem uma personalidade forte, uma mistura do que é bom com o que é ruim, ou seja, dão significados antagônicos para algumas coisas, como se tivesse que optar independentemente, fazer uma escolha, muitas vezes difícil. A escolha do que é bom para si tem um peso bem menor quando as pessoas são mais “resolvidas” e tem maior poder de decisão, principalmente sobre relação à dois.
Shakespeare captou bem a questão de SER quando escreveu a tragédia Giulietta e Romeo, intuindo cada um dos personagens com o de mais sublime poderiam apresentar, O AMOR. Casual ou não, o encontro dos dois no baile dos Capuleto, família de Julieta, arquiinimiga da família Montecchio, de Romeu, nos serve para exemplificar o quanto os atores estão sujeitos a virar personagens pela influência dos outros, o que pensam ou deixam de pensar. Em Romeu e Julieta, ambos sofreram pressão de suas famílias por suas diferenças e interesses. Shakespeare deixa claro que àquele grande amor, que vem de dentro, do fundo de seus corações, não poderia acabar simplesmente pelo desejo de outros. Assumindo o que verdadeiramente sentiam, Romeu e Julieta entregam-se apaixonados ao seu EU, ou seja, ao ator que existia em cada um. E assim, vamos vivendo…