quarto bagunçado

 

A tristeza constante, muitas vezes sem se saber o porquê. O vazio, a dor, o desleixo total, a vontade de estar só, sem ninguém por perto. O sono, muito sono. Muito sono mesmo: às vezes, a vontade de dormir pode ser tanta que se pode desejar nunca mais acordar. A depressão é a grande doença da nossa era. A crise de que tanto se fala, a loucura social e as pressões a que somos submetidos todos os dias são algumas das justificativas para o aumento do número de casos, mas pode ser mais do que isso. A depressão pode chegar a nós sem nenhum motivo ou causa aparente. Aquela sensação de vazio que não vai embora.

A depressão pode ser endógena (provocada por fatores biológicos), ou exógena (provocada pelas circunstâncias do dia-a-dia).  Mesmo nos casos endógenos o meio ambiente circundante infere, e muito, no tratamento da pessoa deprimida.

Para ajudar alguém a sair de um estado depressivo, tudo tem de ser negociado, é muito importante não se impor nada. E quando uma depressão entra já numa fase mais avançada, o que é que acontece? As pessoas não saem da cama sequer, não tratam da higiene pessoal e o quarto fica um caos. Quando se chega a este extremo pode decidir acabar com a vida. É uma tristeza sem fim.

Um dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline é, precisamente, a depressão. Neste caso, tratar-se-á de uma depressão endógena. Embora a doença seja cinco vezes mais frequente nas pessoas que tenham familiares com esta patologia, as causas ainda não são bem conhecidas. Os portadores relatam frequentemente abusos, violências e abandonos precoces. Daí a dificuldade em perceber se a perturbação é adquirida por fatores genéticos ou se foi uma forma de adaptação a um meio envolvente também instável e pouco seguro. Por isso, teremos de ter sempre uma perspectiva biopsicossocial sobre as causas da Perturbação da Personalidade Borderline.

Os principais fatores são o medo constante de se ser abandonado, uma sensação permanente de vazio, uma baixa autoestima e uma dificuldade permanente em administrar as próprias emoções. Os excessos relacionados com drogas, gastos econômicos e comida são recorrentes e geralmente é difícil manter os estudos e emprego. A manipulação e controle são algumas das características, lidar com estas pessoas pode não ser fácil, odeiam a rotina, mas através da psicoterapia encontram nela uma aliada, a chance de cura.