Ao contrário do que muita gente pensa, as pessoas na “terceira idade” tem vida sexual ativa. Segundo uma pesquisa britânica publicada em janeiro de 2015 no Archives of Sexual Behavior, mais da metade dos homens e quase um terço das mulheres com mais de 70 anos têm vida sexual ativa.

A sexualidade, nos homens pesa mais no quesito idade por conta da disfunção erétil ter alta incidência em homens acima dos 60 anos. A ereção conta muito e, com a idade, há um enfraquecimento muscular e circulatório dos músculos do assoalho pélvico masculino. Já no caso das mulheres, o principal fator é a falta de desejo e a pouca lubrificação vaginal que, na maioria das vezes, têm origem no enfraquecimento muscular, assim como ocorre nos homens. Mas ainda assim as mulheres conseguem manter relações sexuais, algo diferente dos homens se houver disfunção erétil.

Ambos enfrentam seus medos: elas, do ressecamento vaginal, próprio do climatério – fase de transição da vida da mulher entre o período reprodutivo e não reprodutivo, e eles, da temida impotência.

A diferença é que as mulheres, nesta faixa etária, convivem melhor com a falta de sexo do que os homens. Para eles, que agora fazem parte da geração “Viagra”, o sexo sempre será importante, mesmo que a frequência diminua. Sexo sempre passa diariamente pela cabeça deles. Não é que para elas não seja importante também, mas não é algo vital, elas convivem bem com a falta de sexo e direcionam sua energia para outras coisas (netos, amigas, viagens). Mas se o casal continua sendo sexualmente ativo na terceira idade, ele fica mais unido, mais cúmplice e mais interessante um para o outro.

A diminuição da libido após a menopausa pode explicar o desinteresse de algumas mulheres no ato sexual ao longo da idade. Como o homem não passa por essa redução brusca da produção de hormônios, a baixa no desejo sexual não se verifica neles, o que pode gerar um descompasso nos casais que envelhecem juntos, ou seja, eles mantendo o interesse pelo sexo e elas diminuindo.

Isso não ocorre na maioria das mulheres e tem tratamento. Quem apresenta essa perda de libido e a trata percebe uma melhora da qualidade de vida. Isso significa que homens e mulheres na terceira idade podem ter vida sexual ativa e gostarem de sexo. O que existe são diferentes expressões do desejo sexual, em qualquer idade, inclusive na velhice. Dados de pesquisas apontam que o indivíduo que teve mais parceiros sexuais e maior atividade sexual na juventude, bem como uma atitude positiva com as experiências sexuais, além de boa saúde mental (com ausência de depressão, que desestimula a prática sexual) são mais ativos sexualmente na terceira idade.

Os problemas mais relatados pelas mulheres sexualmente ativas com mais de 70 anos são dificuldades para alcançar a excitação (32%) e atingir o orgasmo (27%). Entre os homens, a principal queixa é a dificuldade erétil (39%), segundo um levantamento feito por pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra.

A questão da lubrificação vaginal e baixa libido são reclamações comuns entre muitas mulheres que estão na terceira idade. A solução mais prática, atualmente, para o primeiro caso, é o uso de hormônios locais (aplicados em forma de cremes, diretamente na vagina) e que possibilitam um retorno normal à prática sexual. Além disso, é possível usar também lubrificantes à base de água, com silicone, pois favorecem um deslizar mais suave dos órgãos sexuais.

Com a menopausa, a libido da mulher tem uma leve queda e é natural que elas comecem a procurar menos por seus parceiros. Por isso, nesta fase, é cada vez mais importante que elas sintam a presença do homem, sua proximidade e suas carícias.

Ainda que este assunto não seja mais mistério na terceira idade, é preciso quebrar preconceitos e estereótipos em relação à sexualidade dos idosos.

Helio Felippe