Muitos casais permanecem juntos vivendo vidas separadas por um silêncio insuportável. Será que esta incomunicabilidade dentro de casa é intransponível?

Quando o silêncio se instala entre o casal, as esperanças e os projetos de vida do início do romance cedem lugar a uma triste e desgastada solidão a dois.

Por mais que se queira, tudo o que não é dito não fica claro pode ser traduzido em diversos significados.
“A falta de comunicação entre pessoas que moram juntas é uma situação bastante comum”, diz a terapeuta Virgínia Cavalcanti. Não são poucas as ocasiões em que recebo clientes no meu consultório, homens e mulheres que há anos não conversam com parceiros com quem vivem sob o mesmo teto, a não ser sobre o indispensável.

As queixas de ambos os lados são as mesmas. “Ele(a) não me escuta, nem adianta eu falar”. “Quando chega a hora de voltar pra casa é um inferno, fico fazendo hora na rua”, e assim por diante.

Por força da sua própria natureza, o silêncio dá margem a infinitas interpretações. O que fazer?
Se você está vivendo uma situação de falta de diálogo, procure identificar as causas da falta de comunicação do parceiro ou sua. Ajudará muito a dissolver o gelo e chegar a um entendimento.
Veja aqui algumas das razões que, frequentemente, se encontram por trás do silêncio passageiro ou constante.

O silêncio culpado:
Atitude comum de defesa quando um dos parceiros se sente culpado em relação ao outro e foge, trancando-se na falta de comunicação. Evitar falar é uma forma não encarar a situação.

O silêncio-inseguro:
Muito comum. Funciona como uma forma de defesa das pessoas que temem não serem aceitas como são. Como têm baixa autoestima, disfarçam seus possíveis defeitos e erros calando a boca, como se isto os tornassem invisíveis e imperceptíveis para o outro.

O silêncio-punitivo:
Acontece quando um dos parceiros resolve castigar o outro ignorando-o, como se aquele não existisse. Pode ser enlouquecedor quando o parceiro não tem a menor idéia da razão que levou o outro a se calar.

O silêncio-tédio:
Quando não há mais objetivos nem interesses comuns, a convivência perde o sentido e o silêncio sinaliza a falta de afinidade entre o casal.

O silêncio-pra-cutucar:
É o que pretende despertar o outro, como uma alfinetada. Ou chatear, como uma implicância.

O silêncio-magoado:
É aquele que se instaura em decorrência de algo que o outro fez e provocou mágoa. Se a questão não for falada e elaborada pelos dois, pode se transformar em feridas profundas, às vezes, irreversíveis.

O silêncio-expectativa:
É o que espera que o outro perceba o quanto se precisa dele e bata à nossa porta. É um pedido mudo de atenção e de ajuda.

O silêncio desesperado:
É usado, geralmente, como recurso extremo quando alguém não acha mais palavras para se fazer presente, para se fazer entender.

O silêncio-desprezo:
É utilizado para demonstrar à outra pessoa alguma coisa de ruim que se pensa ou se sente a respeito dela. Por alguma razão, não se consegue verbalizar o motivo deste desprezo. Ou, quando se consegue, o silêncio é utilizado para reforçar o que se disse.

O silêncio-indiferente:
É aquele que acontece quando o parceiro(a) não desperta mais nada no outro.

O silêncio-ofendido:
Há casos de pessoas que passam longos períodos, mesmo anos sem dirigir a palavra a alguém que os ofendeu, mesmo vivendo sob o mesmo teto.

O silêncio-fim-de-caso:
É usado como forma de mostrar que o amor chegou ao fim. Às vezes, ocorre espontaneamente, com o esvaziamento da relação. Às vezes, é a única maneira de mostrar, através da ausência de palavras, aquilo que não se tem coragem de falar.

O silêncio-birra:
É uma atitude infantil, uma “malcriação” de quem não tem maturidade suficiente para enfrentar as dificuldades, muito menos para verbalizar. Geralmente é passageiro e não causa grandes danos.
O silencio-controlador:
É praticado por quem acredita que pode manter o outro preso pela necessidade de entender o que este silêncio esconde. Ou por quem não sabe claramente como conduzir um momento complicado. É o silêncio que nada resolve, que adia soluções.

Paula Lemos