Acontece. Mesmo com os inúmeros métodos anticoncepcionais existentes, acontece. A camisinha estoura, a cartela da pílula fica esquecida junto com a nécessaire que você tirou da bolsa, ou ele assume na maior cara de pau que dessa vez não deu pra segurar. Desse segundo em diante, cada minuto dura uma eternidade à espera da menstruação… que pode até mesmo não chegar. No entanto, antes de entrar em pânico e correr para a clínica mais próxima à procura de um aborto, pode-se contar com um plano de emergência: a pílula do dia seguinte, que se ingerida num prazo de até 72 horas após a relação torna mínimas as chances de uma gravidez indesejada.
Essas pílulas nada têm de milagrosas, mas podem ser consideradas uma alternativa bem menos traumática para um momento de desespero. Diferentemente de um aborto, essa medicação simplesmente deixa o endométrio hostil, não permitindo que o espermatozóide encontre o óvulo. “A pílula pode ser tomada até 72 horas após a relação sexual, mas, se ingerida até 24 horas depois, as chances de não concepção giram em torno de 95%”, porém, é imprescindível uma visita ao ginecologista antes de seu uso.
Apesar de suas vantagens, muitas mulheres, ainda por desinformação, acreditam que o método seja abortivo e, consequentemente, perigoso. Esse tipo de medicamento não é abortivo, pois não houve o encontro entre óvulo e espermatozóide. Ele é, inclusive, aceito pelo Ministério da Saúde e pelo FDA americano.
Longe de ser novidade, a anticoncepção de emergência é conhecida há mais de 20 anos pelos profissionais de saúde. Até agosto de 1999, os ginecologistas prescreviam anticoncepcionais orais com doses aumentadas para obter efeito semelhante. Tudo ficou mais fácil com o lançamento do Postinor 2 (R$ 16,74) em agosto de 1999. O medicamento, composto por duas pílulas com 750 microgramas do hormônio sintético levorgestrel, deve ser ingerido num intervalo de 12 até 72 horas após a relação. A Libbs Farmacêutica lançou também o medicamento Pozato (R$ 14,30), que tem a mesma finalidade.
Efeitos colaterais
Mas nem tudo é tão bom quanto parece. Segundo o FDA, órgão que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, os efeitos colaterais mais comuns são náusea (23% das usuárias), dores abdominais (18%), fadiga (17%) e dores de cabeça (17%). Vômitos e diarréia podem ocorrer em cerca de 6% dos casos. Em caso de vômitos imediatamente após a ingestão, é recomendável repetir a dose.
As pílulas são contra-indicadas para mulheres com qualquer sangramento anormal, que sofram de trombose ou tumores hepáticos, ou sejam hipertensas. A freqüente utilização do medicamento compromete o seu efeito e, o que é mais grave, promove danos à saúde, já que desregula seu ciclo menstrual. Se bem utilizado, significa um avanço na área dos direitos sexuais e reprodutivos de homens e, em especial, das mulheres. A anticoncepção de emergência é, como o próprio nome diz, um recurso emergencial, e não mais um método de regulação da fertilidade.