solidão a dois

Não há amor, nem diálogo. Apenas um relacionamento falido. O que fazer?

No apartamento, cada um no seu canto. Não há diálogo, não há entendimento, não há toque, não há carinho. Apenas a ilusão de um relacionamento que, na realidade, já está falido, acabado. A solidão a dois é, muitas vezes, mais dolorosa que a solidão desacompanhada. Isso porque ela vem sempre carregada de mágoas e decepções que nutrem o monstro da desilusão, criando um desarmônico e doentio laço, que aprisiona o pseudo-casal.

Muitas pessoas garantem viver um inferno dentro de casa. Não se sabe precisar ao certo quando o relacionamento faliu, mas conseguem enumerar algumas razões. É basicamente um acúmulo de coisas. Falta de paciência, intolerância, egoísmo e acho que até um excesso de idealização. Vai se varrendo os problemas para baixo do tapete, negando-se a enxergá-los e isso vai roendo o casamento. Reconhecer os próprios erros e os do outro também é importante. Um exemplo disso é a rotina do casal, por exemplo: a mulher chega do trabalho, vai para o quarto enquanto ele está lá na sala vendo televisão.Não se falam, ele fica imóvel no sofá e ela vai direto para os afazeres. A casa fica praticamente dividida em dois territórios e mal se cruzam.

Cada dia que passa, a vida conjugal fica pior. Pode-se comparar esse problema a um bolo, cujo fermento são exatamente as mágoas e decepções. Conversar vai ficando cada vez mais impossível. Qualquer assunto que se comece, pode ser o mais ameno como a comida do jantar, acaba em briga. Imagine quando for introduzido algo sobre a relação? No entanto, as dificuldades precisam ser superadas e tomar uma atitude vai ficando cada vez mais urgente. Senão, na primeira oportunidade, alguém quer pular fora.

Quem vive um drama desses na vida sempre reconhece, quando o problema já é fato, que já havia algo de errado desde muito tempo e esses indícios foram desprezados.

Relacionamentos que agonizam desse mal são extremamente comuns, vejo isso todos os dias na minha prática. O problema nasce devagarzinho, bem debaixo dos olhos vendados do casal. Existe um desprezo muito grande pela intuição. É muito importante identificá-los e solucioná-los quando ainda são incipientes. É justamente o acúmulo de feridas que mina a saúde de um relacionamento.

Sentimentos como ansiedade, rejeição, desprezo e desejo de fuga não devem ser, de maneira nenhuma, negados.

De fato, para muitas pessoas, é muito difícil reconhecer defeitos no seu projeto afetivo que, quase sempre, nasce envolvido por uma promessa de perfeição e eternidade.

Mas certas barreiras anunciam um novo caminho de evolução para uma relação e é aí mesmo que está a solução para uma queixa comum nesse quadro que é a rotina, a falta de novidade. São dessas mudanças que um casamento se nutre.

Helio Felippe